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26 de fevereiro de 2014

Construindo a Super Star Destroyer Executor - STARWARS nos anos 80

Scratchbuilding the Executor Spaceship 

A cena de abertura do filme 'Guerra nas Estrelas', quando aparece pela primeira vez a nave da Princesa Leia ,a Blockade Runner, de forma muito real, foi de impressionar qualquer um... Mas logo em seguida, descobrimos do que ela estava fugindo, quando, visto por baixo em toda sua imponência, o gigantesco Star Destroyer imperial ameaçadoramente se apresenta. Era de deixar qualquer espectador de queixo caído.


Modelo original da Super Star Destroyer Executor (ESB)

Foi o que aconteceu comigo. Pela primeira vez, víamos naves gigantescas e realistas. Até então, tínhamos visto apenas naves pequenas, tipo caça, nos filmes "espaciais", pois as naves gigantes, eram quase impossíveis de serem representadas por maquetes. Claro, tivemos a Discovery de Douglas Trumbull, em '2001: Uma Odisséia no Espaço' cuja própria maquete teve de ser muito grande para parecer real. Mas era uma nave "clean", asséptica. Em SW (Star Wars), não, pela primeira vez víamos naves desgastadas, batidas pelo tempo e pelejas em inúmeras batalhas, como os velhos destróieres da 2ª Guerra. Esta foi uma das inúmeras inovações da Saga, que deu fama e fortuna ao seu criador, George Lucas.

Mas foi quando assisti a 'O Império Contra-Ataca' que meu queixo caiu de vez. Antes, já estava vidrado com o design e realismo da Galáctica, da série de TV, construída por Gordon Dykstra e sua equipe, mostrando que SW estava fazendo escola. A ILM estava apenas no seu nascedouro.
Mas no “Império” quando apareceu o Super Star Destroyer Executor, a nave capitânia da frota imperial, comandada pelo próprio Darth Vader, com seus propalados 11 km de comprimento foi que cismei de que tinha de ter uma daquelas.

Já tinha construído uma Galáctica e aquele deveria ser o meu maior desafio de modelista.
Primeiro, os planos. Mas encontrá-los aonde, naqueles tempos sem internet? Tinha um projetor Super-8 (nem vídeo eu tinha na época) e a fita de 'O Império', que deve ter até furado nas cenas com esta nave, do tanto que a passei e repassei, para pesquisar os detalhes e até mesmo fotografá-la direto da projeção. Eram muitas dúvidas. Qual a relação proporcional entre suas medidas de comprimento, largura e espessura? Qual o formato correto do “casco” e, dúvida atroz, quantas turbinas possuía ao todo? Tinha alguma literatura legal, como The Official TESB Collectors Edition, The Art of TESB e TESB Sketchbook.

Contatos com amigos modelistas tupiniquins (meu brother César Ricardo, Rogério Bonito, Marco DiStefano, Fábio D’Angelo, Marcelo Conforto, Carlos Henrique Zangrando...), e de fora – o francês Jean Christophe Carbonel, e o americano Gordon Dykstra – com a troca de calhamaços de xeroxes e cartas que nos matavam de expectativa pelas longas demoras me proveram de mais alguma coisa, mas ainda faltava precisão.
Foi quando resolvi beber direto na fonte: escrevi a Lorne Peterson, o chief-modelmaker da Industrial Light and Magic-ILM, complexo (na época, ainda não tanto) criado por Lucas em San Rafael-CA, para cuidar dos efeitos especiais de sua Saga.



Confesso que não foi com muita surpresa que um dia abri a minha Caixa Postal e encontrei um envelope “rechonchudo” (destes revestidos por plástico com bolhas de ar por dentro ) com o timbre da ILM. Quase sofri um enfarte. Mas digo que não foi com muita surpresa no sentido de que todos os estúdios, profissionais e pen-pals americanos sempre foram muito solícitos para comigo, coisa de primeiro-mundo, de quem realmente sabe o que é “qualidade total”. Parece mágoa, mas é que, como co-editor do fanzine Hiperespaço, escrevi cartas e mais cartas às distribuidoras de filmes no Brasil, diretores, etc, e nunca obtive se quer uma resposta negativa. E não é que os americanos são “bonzinhos”, é que eles sabem realmente dourar e vender a pílula.

Mas enfim, na carta (veja figura), Lorne Peterson foi de uma atenção verdadeiramente sem tamanho, desenhando de punho uma mini-planta da maquete original e marcando suas dimensões (veja figura), de quase 3 metros de comprimento. Ainda “spreiou” a cor original da maquete da ILM numa folha e, I couldn’t believed that, me enviou uma foto polaroide da mesma.
Agora sim, podia iniciar minha construção.



Desenhei a planta em escala real (minha maquete teria apenas 1 metro), com todas as vistas necessárias, posicionamento das 13 turbinas, e detalhes da torre de comando.




Construí a estrutura básica com perfis de alumínio anodizado, com longarinas de acrílico de 3mm e duratex (veja foto), e cobertas com chapas de acrílico 3mm, revestidos por centenas de pequenos quadrinhos e retângulos de platicard de 1mm, simulando a chaparia do gigantesco casco da nave (veja foto).


As turbinas, feitas de tubos de pvc de diversas bitolas, revestidos com papel alumínio nas faces internas, foram iluminadas por lâmpadas piloto de 12v. As pontas foram cobertas com papel vegetal, pintados, para apresentar uma luz difusa, mais “na escala”.
Além disto, coloquei uma caixa central de polyestireno no interior da nave, também revestida por dentro de papel alumínio, com 3 lâmpadas de 12v, da qual “emanavam” mais de duas centenas de fios de fibra óptica, serpenteando pelo interior da nave e indo aportar em diversos pontos de suas superfícies laterais, das torres etc. Isto, simularia depois as milhares de "janelas" mostrando a iluminação interna, como uma metrópole vista à noite. É o que dá o senso de escala em modelos deste tipo.



A parte mais difícil foi o detalhamento, mas também a mais criativa, a mais atraente. E tome horas e horas de trabalho solitário.


Cortei milhares de retângulos e quadrados de acrílico e plasticard de diversas espessuras. Com limas de borda quadrada, de diversas espessuras, prendia várias peças de uma só vez num torno, e limava reentrâncias na mesmas. Depois, era só colar umas sobre as outras, sem nenhuma simetria, e tinha uma estrutura que lembrava também uma metrópole gigantesca, vista por cima.
Na parte de baixo, os detalhes, além dos mencionados, tinham de dar uma aparência de "casa de máquinas" e não de cidade gigante. Aí, me vali de tudo que se possa pensar: peças plásticas de barbeadores, chips, peças eletrônicas, caninhos e tubinhos, peças de laboratórios e, muitas, muitas peças de kits Revell de navios de guerra, tanques, aviões e até de motos, sempre com o cuidado de simular um senso de escala, de “funcionalidade real” às intricadas estruturas, de esconder e/ou camuflar as origens das peças e, claro, simular ao máximo possível, o que via nas minhas fotos, desenhos e sessões de Super-8 privê.


Tudo pronto e testado (inclusive encaixe para um suporte metálico, alçapões camuflados para se ter acesso às pequenas lâmpadas no caso de uma reposição,etc) passei à pintura e wheatering.
A nave foi pintada à aerógrafo (o meu é um Badger de dupla ação) e tinta acrílica cinza metálico fosco claro. Algum envelhecimento e desgaste foi feito nos métodos tradicionais (escorrendo tinta um pouco mais escura pelas reentrâncias e baixos-relevos e limpando-se os excessos) e “clareando” alguns pontos em alto-relevo, de forma bem suave, indelével.



Os fios finos para prover a eletricidade, correm por dentro do cano-suporte, e são ligados em um pequeno transformador 110-12 volts.
Acho que consegui um bom resultado (veja foto), pois publiquei matérias sobre a maquete em diversas revistas nacionais e estrangeiras. Críticas são sempre bem-vindas.


por Jose Carlos Neves


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